Mais um dia que foi embora. O sol indo lá para o oriente e a gente aqui tão desorientado. Era possível saber como o dia iria ser na manhã seguinte: Morno. Saber sobre o amanhã é tão pouco empolgante quanto comemorar o ano novo ao meio dia. Eles pularam essa lição e acham tão interessante contar sobre todas as tarefas diárias que terão.
Todo mundo seguindo o mesmo caminho, entrando no mesmo buraco. Um formigueiro humano. Ninguém nem sequer questiona sobre a vida, mas vamos esperar mais o que dessa gente que nem sobre o tempo questiona? Eu digo tempo relacionado se vai chover ou se vai fazer sol, porque aquele tempo que faz a areia da ampulheta cair é o que menos conhecem. Tempo nem sempre são horas. Tempo pode ser aquele que faz teu filho crescer e suas rugas aparecerem e você nem percebe.
Tudo é sempre tão normal, valores se perdem tão rápido assim. Eu tento ensinar e aprender sobre o amor próprio, a partilha, o valor das amizades e a divisão tanto dos bens quanto das emoções e sentimentos. Eles ensinam o quanto "você precisa de dinheiro, você tem que ter dinheiro, o mundo é de quem tem mais e ele não é tão maravilhoso assim!". Escondam-se todos em suas casas, então. Hoje vou sair com meia dúzia de moedas, coração palpitante e mil ideias na cabeça. Recuso viver para pensar num pedacinho de papel.
O suor escorre na luz do dia, a lágrima escorre na escuridão da noite. Se os outros não se importam, você também não se importará. E assim passa mais um pouco da sua vida. A simplicidade do viver sendo arrancada aos poucos sem perceber. Sorrisos sinceros ficam no meio de tantos falsos que são tatuados nos rostos artificialmente coloridos.
Confio num dia que nem sei se virá, não um amanhã, mas talvez um ontem. Aquele ontem que te fazia jovem, rebelde, questionador e forte. Aguardo aquele adolescente de cabelos revoltos ao vento gritando até a garganta sangrar sobre suas incertezas. Eu estou confiando muito nisso, posso ficar até esperando a normalidade passar...
"Mas as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer..."

